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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Issei Sagawa: 1949 - 0000


Issei Sagawa assassinou e canibalizado uma mulher holandêsa chamada Renée Harteveltem 1981. Após a sua libertação, tornou-se uma pequena celebridade no Japão e fez a vida através do interesse público sobre o seu crime. Sagawa tinha 33 anos quando cometeu o crime.

Estava fazendo uma pós-graduação em literatura na Academia de Sorbonne, em Paris, quando conheceu a aluna holandesa Renée Hartevelt, de 25 anos.
Em 11 de Junho de 1981, Sagawa, um estudante de 32 anos da literatura francesa, convidou Hartevelt para jantar sob o pretexto de conversa literária. Após a sua chegada, ele atirou no pescoço dela com um rifle enquanto ela se sentou de costas para ele em uma mesa, em seguida, começou a executar seu plano de canibalizar a garota. Ela foi escolhida por causa de sua saúde e beleza, essas características Sagawa acreditava que faltavam nele. Sagawa se descreve como um "fraco, feio e pequeno homem" (ele tem um pouco menos de 5 pés - 1,52 m - de altura) e afirma que ele queria "absorver a sua energia".

Sagawa, disse que desmaiou após o choque do tiro que deu nela, mas acordou com a percepção de que ele tivesse de realizar seu desejo de comê-la. Fê-lo, começando com os quadris e as pernas, depois de ter relações sexuais com o cadáver. Em entrevistas, ele notou sua surpresa com o "corn-colored" a natureza da gordura humana. Durante dois dias, Sagawa comeu várias partes de seu corpo. Ele descreveu a carne como "macia" e "sem cheiro", como o atum. Ele então tentou despejar o corpo mutilado em um lago remoto, mas foi visto no ato e mais tarde preso pela polícia francesa.


Seu pai, um rico empresário, contratou um advogado superior para sua defesa, e depois de ter sido detido por dois anos sem julgamento, o juiz francês Jean-Louis Bruguières o considerou legalmente insano e incapaz de ser julgado e mandou Sagawa a ser internado indefinidamente em uma instituição para doentes mentais. Na sequência de uma visita pelo autor Inuhiko Yomota, Sagawa contou sobre o assassinato, foi publicado no Japão com o título, "
No Nevoeiro".

A publicidade posterior e a celebridade macabra de Sagawa provavelmente contribuíram para a decisão das autoridades francesas para extraditá-lo para o Japão. Após a chegada no Japão, ele foi imediatamente levado para o Matsuzawa Hospital, onde todos os psicólogos que o examinaram chegaram a opinião de que ele tinha a mente sã, mas que era "mal" por natureza. No entanto, as autoridades japonesas acharam que fosse juridicamente impossível segurá-lo, supostamente porque faltaram alguns importantes documentos do tribunal francês. Como resultado, Sagawa se retirou da instituição mental em 12 de Agosto de 1986, e é um homem livre desde então.

Pós-liberdade

Sagawa agora vive em Tóquio, e é uma pequena celebridade no Japão. Ele é frequentemente convidado como orador convidado e "gourmet". Ele também escreveu algumas colunas sobre restaurantes japoneses para uma revista de estética. Em 1992, ele apareceu no filme de Hisayasu Sato, "Uwakizuma: Chijokuzeme" (Unfaithful Wife) como um voyeur sadossexual. Além de escrever livros sobre o assassinato que cometeu, Sagawa escreveu um livro chamado "Shonen A" em 1997 sobre os assassinatos em série de crianças de Kobe em 1997, quando um menino de 14 anos referido na mídia como Shonem A (Menino A) matou e decapitou uma criança e atacou várias outras.

A história de Issei Sagawa inspirou diversos artistas no meio musical e cinematográfico. A canção de Stranglers "
La Folie" em 1981 , De Rolling Stones "Too Much Blood" em 1983, e de Human Factors Lab, "Dinner with Renee" em 2004, ambas foram inspiradas no canibal japonês. Em 2007, a Gnaw lançou um EP intitulado "Issei Sagawa", no qual retrata Sagawa com um garfo e faca sobre o que parece ser um par de pernas humanas. O curta-metragem dirigido por Olivier Smolders chamado "Adoration" também foi baseado na história de Sagawa.

No mesmo ano, o canal de TV Viasat Explorer lançou um documentário de 47 minutos chamado "
Cannibal Superstar". Em 2009, Sagawa foi documentado em um History Channel, intitulado "Estranhos Rituais" discutindo o canibalismo. A mostra revela Sagawa como um artista independente de pinturas de nus.

terça-feira, 22 de março de 2011

Ed Kemper: 1948 - 0000


Na década de 60, a cidade de Santa Cruz, na Califórnia, Estados Unidos, apesar de turística era relativamente pacata. Mas o começo dos anos 70 veio para mudar as coisas por lá.

John Linley Frazier, um hippie, assassinou um médico, a família deste e a sua secretária – cinco pessoas no total, no final de 1970. A motivação? Simbólica: protestar contra a onda de devastação ambiental promovida por empreendedores capitalistas. Os hippies já não eram bem vistos nos EUA, depois do caso Charles Manson, no ano anterior (embora este negasse ser hippie): Manson mandara matar a atriz Sharon Tate e outras pessoas de forma bárbara. Frazier foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide.

Nos anos seguintes, uma série de outros assassinatos de autoria desconhecida chacoalharam a cidade. A polícia chegou, enfim, ao serial killer Herbert Mullin, um psicótico que havia parado seus medicamentos e escutava uma voz que o mandava matar. Acreditava que um terremoto enorme destruiria a região, a não ser que 30 pessoas concordassem em se sacrificar. Se não concordavam, ele mesmo as sacrificava. Também foi diagnosticado como esquizofrênico paranóide, e a polícia tranqüilizou a população. A paz iria voltar a reinar. Mas não foi isto o que aconteceu: coisas terríveis continuaram a ocorrer…

Ed Kemper nasceu no final do ano de 1948. Era o segundo filho de três – tinha uma irmã mais velha e uma mais nova. Quando seus pais se separaram, tinha 9 anos. Ele era apegado ao pai e parece ter sofrido muito com o rompimento. Sua mãe, depois disso, o maltratava muito, segundo ele. Deixava-o sempre trancado no porão.

Ainda criança, Ed Kemper já pensava em matar seus parentes, imaginava-se mutilando-os. Na prática, fazia isto com gatos.

Foi morar um período com o pai. Mas o pai tinha se casado novamente, teve outro filho e não lhe recebeu muito bem. Pouco depois, o devolveu à mãe, mas esta queria casar-se novamente e Kemper atrapalharia. Resolveram mandá-lo para o rancho dos seus avós paternos. Mas estes também não lhe trataram tão bem quanto ele gostaria.

Agosto de 64. Ed Kemper atirava em pássaros. Sua avó paterna pediu para ele parar. Ele a atendeu: virou-se para ela e a acertou na cabeça. Deu ainda mais dois tiros. Iria arrastar o corpo, ação facilitada por ser bem alto e forte, quando escutou o barulho do carro do avô (chamado Edmund também), que chegava. Não restou-lhe outra opção: acertou-o também. O rifle havia sido dado a ele de presente justamente por este avô, no Natal anterior.

Kemper levou os corpos para a garagem. Sem saber o que fazer, ligou para a mãe e falou o que havia acontecido. Ela o aconselhou a chamar a polícia. Ela já havia dito ao pai de Kemper que não se surpreendesse se um dia ele fizesse isso.

Ed Kemper chamou mesmo a polícia. Segundo os policiais, ele estava os esperando calmamente. Depois, teria afirmado que atirou na avó para ver como se sentiria. No avô, para evitar que ele visse o que tinha acontecido.

Kemper foi submetido à avaliação psiquiátrica. Duas observações importantes advieram daí: um diagnóstico de esquizofrenia paranóide e a conclusão de que tinha um QI quase de gênio. Ficou internado no “Atascadero State Hospital for the Criminally Insane” (o mesmo pelo qual passou – em 62 como colaborador, e em 74-75 internado-preso – Arthur Leigh Allen, suspeito número um de ser o “Assassino do Zodíaco”).

O psiquiatra que o acompanhou mais de perto foi Donald Lunge. Conta-se que lá Kemper memorizou as respostas corretas de inúmeros testes psicológicos, conseguindo, assim, sua libertação, aos 21 anos.

Saiu com recomendações de não voltar ao convívio da mãe, a sra. Clarnell, pois isto poderia gerar novos episódios de violência. Mas ele voltou para a casa dela. E, segundo ele, ela continuou a humilhá-lo. Segundo os vizinhos, sempre discutiam.

Com outras pessoas, Kemper era polido. Quis entrar para a Academia de Polícia, mas era grande demais para isto. Contudo, ficou amigo dos policiais, que o chamavam de “Big Ed”. Teve uma série de pequenos empregos e saiu de casa, indo para uma cidade próxima. Voltava às vezes à casa da mãe, quando o dinheiro acabava. Logo comprou um carro. E então começou a passear e observar as garotas e a imaginar coisas… Coisas diferentes das que os garotos geralmente imaginam.

Para fazer o que tinha em mente, se preparou. Comprou facas, algemas. Observou umas 150 garotas, ele conta, até que um dia teve a urgência de fazer. Ele chamava estes impulsos de “little zapples”.

Em maio de 72, duas garotas desapareceram. Em agosto, o crânio de uma foi encontrado, numa montanha. Em setembro, desapareceu a estudante de dança Aiko Koo.

No início de 73, desapareceu outra garota. Seu corpo foi achado por partes. Braços e pernas em um local. O tórax, tempos depois, em outro – a identificação foi feita através de uma radiografia feita neste tronco encontrado. Encontrou-se também a parte inferior do torso. Um surfista achou uma mão.

No começo de fevereiro, mais duas garotas sumiram. No dia 13, Herbert Mullin, úm dos psicóticos citado anteriormente, foi preso, após atirar em um homem que cuidava de um jardim. Em janeiro, duas famílias inteiras haviam sido mortas, assim como quatro pessoas que acampavam juntas. Talvez agora o pânico decrescesse, com a prisão de Mullin.

Em março foram encontrados os ossos das garotas que sumiram em fevereiro. Foram mortas com tiros na cabeça.

Em abril, a polícia recebeu um telefonema. Era Big Ed, que estava então com 24 anos. O que ele disse pareceu-lhes, a princípio, uma brincadeira. Ele disse ter matado a própria mãe. E listou os outros assassinatos que já havia cometido. Não deram bola a ele, e Ed teve que ligar mais duas vezes até que alguém começasse a acreditar na história.

Ele não havia matado a mãe aquele dia, mas quatro dias antes. Após o assassinato, Ed Kemper bebeu com os tiras e depois chamou uma amiga de sua mãe para jantar e assistirem a um filme. Matou-a também, e arrancou sua cabeça, assim como havia feito com a mãe. Da amiga, também cortou fora a língua. Os corpos foram deixados no closet do apartamento da sua mãe.

Kemper conta que, depois disto, alugou um carro e ficou dirigindo, sentindo-se “meio louco”. Tinha, consigo, três armas e muita munição, e isto o assustava.

Ele estava agora em outro Estado, e os detetives viajaram para ir buscá-lo. Eles agora entendiam a dificuldade que tiveram para achar o assassino daquelas garotas: ele estava “infiltrado”, com sua amizade, na corporação, e sabia dos planos deles para capturarem o criminoso.

Quando chegaram onde Ed Kemper estava, ele estava calmo, aguardando-os. Então ele começou a falar sem parar, sobre as seis garotas que tinha matado, além da mãe e da amiga desta.

Justificativas

Ed Kemper cedeu várias entrevistas, daí em diante, seja para detetives, médicos ou psicólogos. Sempre falou dos mau-tratos que recebia, mas nem sempre a história era contada exatamente da mesma maneira.

Sobre os primeiros assassinatos das meninas, disse que queria era estuprá-las, mas ponderou que, matando, não haveriam testemunhas vivas.

Escolhia garotas que iam caminhando para a faculdade. Oferecia carona. Tinha um adesivo da faculdade no carro – sua mãe trabalhava lá – e isto facilitava as coisas. Contou sobre as duas primeiras que coletou assim, uma voluntariamente e outra à força. Cortou a garganta de uma e logo depois matou a outra também. Colocou os corpos no porta-malas. Foi parado, na estrada, por causa de um farol quebrado, mas de nada desconfiaram. Dirigiu-se para sua casa. Levou os corpos para o seu quarto. Fotografou-os. Foi cortando e fotografando. Às vezes parava e regozijava. Fez sexo com partes destes corpos. Depois, colocou as partes em seu carro novamente. Desovou tudo, tomando nota do lugar para depois voltar lá. Ainda fez sexo com a cabeça de uma, antes de abandoná-la.


Kemper justificou estes crimes assim: “Minha frustração. Minha inabilidade para comunicar-me socialmente, sexualmente. Eu não era impotente. Eu morria de medo de entrar em relações homem-mulher.”

A terceira garota, Aiko, primeiramente foi levada a perder a consciência, depois estuprada e, enfim, assassinada. Novamente, levou a vítima para casa e desmembrou.

No dia seguinte, Ed Kemper tinha que ir a um conselho psiquiátrico, como parte da sua condicional após a saída do hospital. Os dois psiquiatras consideraram-no ótimo. “Normal”, dissera um deles, e estavam felizes com o fato de o sistema o qual faziam parte conseguir recuperar um caso como o dele. Enquanto isto, no porta-malas do carro estava a cabeça de Aiko. Com o laudo psiquiátrico, Kemper ganhou oficialmente sua liberdade de volta.

E continuou a matar, repetindo o método. Mas agora já estava morando novamente com a mãe, e levava os corpos para a casa dela.

Chegara a vez de sua mãe. Em uma entrevista, falou com relativa frieza de todos os assassinatos, mas, quando foi falar deste, finalmente chorou. O serial killer justificou este crime de várias maneiras. Uma foi que não queria que ela soubesse que ele era o assassino das garotas.

Conta que a chamou para passear, ela disse que não queria. Esperou ela dormir, e entrou em seu quarto com um machado. “Foi tão difícil!” Cortou sua cabeça e a colocou sobre a lareira. Conversou com a cabeça.

O julgamento de Ed Kemper

Seu advogado foi o mesmo que defendeu Frazier e que estava agora no caso Mullin. Quis alegar insanidade para Ed Kemper. Enquanto aguardava julgamento, Kemper tentou cortar os pulsos duas vezes.

O julgamento começou em 73. Três psiquiatras o avaliaram e consideraram-no “normal” – isto é, sabia o que fazia. O diagnóstico dado na adolescência também foi revisto.

Durante estas entrevistas, o serial killer Ed Kemper falou também sobre canibalismo – cozinhar e comer partes das vítimas. Depois negou isto e disse que falou para tentar a via da insanidade.

Durou quase três semanas o julgamento. Culpado, por oito mortes. O juiz perguntou-lhe que pena achava que merecia: “Ser torturado até a morte!”, ele respondeu. Por acaso, o julgamento foi em um período de suspensão da pena de morte naquele Estado – todas viravam, automaticamente, prisão perpétua.

Uma vez preso, chegou a solicitar que lhe fizessem psicocirurgia. O que foi negado, por temerem que, depois disso, pedisse uma revisão da pena alegando estar curado.

Preso exemplar

Kemper comporta-se bem na prisão, ajuda cegos a “ler”. Mas, em uma audiênca de condicional, admitiu não estar pronto para voltar à sociedade.


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Ed Gein: 1906 - 1984


A cena de cinema é clássica. Uma mulher ao chuveiro e uma música de suspense, cada vez mais alta. Enquanto ela toma tranqüilamente o seu banho, o assassino aproxima-se com uma faca e abre a cortina do box. “Psicose”, de Alfred Hitchcock, sempre será lembrado pelos amantes da sétima arte. O que poucos sabem é que, por trás desta cena e deste filme, existiu mesmo um homem muito estranho, que inspirou a história.

É possível que Ed Gein tenha matado “apenas” duas mulheres. Pela Classificação de Homicídios do FBI, tecnicamente nem poderia ser chamado de “serial killer“. Mas é um dos assassinos mais famosos de todos os tempos, tendo sido a inspiração de filmes como o de Hitchcock e “O Massacre da Serra Elétrica”.

Ed Gein era o segundo e último filho de Augusta. Seu irmão, Henry, era sete anos mais velho. Augusta era muito religiosa, e ensinava diariamente aos filhos sobre os pecados do mundo, especialmente os que envolviam a maior das tentações: as mulheres. Sexo antes do casamento, por exemplo, nem pensar.

A mãe de Ed Gein

O pai de Ed Gein bebia muito e também era subjugado pela esposa. Em certa época, apenas a mãe trabalhava. Ela conseguiu juntar algum dinheiro e mudou-se com a família para Plainfield, uma pequena cidade no interior do Estado de Wisconsin, longe dos perigos da cidade grande. Estabeleceram-se em uma propriedade na zona rural, perto da cidade.

Os colegas da escola de Gein zombavam dele, por ser tímido, e chamavam-no de “afeminado”. Não tinha amigos e, quando parecia iniciar uma amizade, sua mãe cortava. Assim, naquela casa, aqueles três homens viviam sob o império daquela mulher.

Em 1940, morre o pai de Ed Gein. Os filhos de Augusta arrumam pequenos trabalhos na redondeza, para auxiliar o sustento. Eddie chega a trabalhar como babá, serviço que gostava – para ele, talvez fosse mais fácil ter contatos com crianças que com adultos.

Gein matou o irmão?

Eddie e o irmão, Henry, tinham algumas discussões. Henry percebia a tirania da mãe, o que chocava Eddie, que a via como um modelo de pureza. Henry morreu em 1944, em um incêndio perto da fazenda. Hoje, há suspeitas de que Eddie possa ter sido o autor, até porque o corpo dele foi encontrado em uma área não incendiada. Na época, não se pensou nisto e o caso foi tratado como uma morte acidental. Hoje, acredita-se que possa ter ocorrido um surto de agressividade de Ed por causa de algo que Henry tenha dito sobre a mãe, ou mesmo que possa ter sido um assassinato deliberado, para ficar sozinho com Augusta Gein – se esta hipótese for real, Ed Gein seria um caso raro entre os serial killers, pois eles geralmente não matam conhecidos, muito menos parentes.

Após a morte de Henry, restavam agora Eddie e sua querida mãe. Porém, ela logo sofreu um derrame e ficou incapacitada. Conta-se que às vezes Eddie deitava-se na cama com ela. No final do ao seguinte, 1945, ela morre. Sobrou apenas Eddie, 39 anos, sem parentes por perto, sem mulher, sem filhos, sem amizades íntimas.

Eddie Gein manteve intocados os cômodos de sua mãe, e continuou a exercer trabalhos simples para sobreviver. Entre outros hábitos, lia livros de anatomia, obituários de jornal, revistas de horror, livros de guerra e coisas assim – e gostava de contar algumas histórias assustadoras para as crianças que cuidava.

No fim dos anos 40 e início da década seguinte, alguns casos de desaparecimento aconteceram no Estado. Hoje se suspeita que possam ter sido obra de Gein, embora as vítimas não combinem com suas duas vítimas conhecidas – sumiram duas garotas muito jovens, dois homens (apenas estes dois na cidade de Pleinfield, as outras foram nas proximidades). Aparentemente, os homens haviam contratado Ed Gein como guia de caça. No sumiço de uma moça, Ed estaria nas proximidades, visitando parentes, na época. No desaparecimento de outra, viu-se um Ford branco nas redondezas – semelhante ao encontrado posteriormente na fazenda de Gein.

Matando senhoras

Em dezembro de 1954, a dona de um bar em Pleinfield, Mary Hogan, também sumiu. A polícia encontrou um cartucho no chão do bar. Seu corpo não foi achado e o caso não foi resolvido na época, por falta de evidências de autoria. Eddie tinha 48 anos. Esta seria a primeira morte que confirmadamente pôde ser atribuída a Ed Gein, anos depois. Mary, na visão de Ed, era uma mulher “impura”.

Novembro de 1957. A loja de Bernice Worden, 50 anos, foi encontrada assaltada e ela havia desaparecido. O último cliente foi Ed Gein – havia um registro disso no livro de vendas “fiado” da loja. Além disto, ele havia tentado marcar um encontro com ela, dias antes.

Objetos feitos com corpos

A polícia chegou à casa de Eddie. Estava uma bagunça, com lixo espalhado pelo chão. O cheiro era de coisas apodrecidas. Era noite e o oficial usava uma lanterna. No celeiro, andando com dificuldades por causa das coisas que tropeçava, ele sentiu seu corpo bater em algo. Iluminando o “objeto” que esbarrou, ele viu que era uma carcaça, aberta e dependurada. Por instantes, chegou a pensar ser a de um animal. Era época de caça. Mas logo viu que era a de um ser humano! Era o corpo de Bernice. Faltava-lhe a cabeça. Órgãos já haviam sido retirados. Supostamente, alguns, como o coração, já estariam em uma panela.

Isto não foi a única coisa encontrada na casa. Um abajur feito de pele humana. A vasilha de sopa era o topo de um crânio. Havia mais: um cinto feito de seios; uma genitália preservada, em uma caixa; narizes, uma cabeça, um coração. Por fim, toda uma roupa costurada com pele humana. E muito mais “acessórios”, muito mais…

As pessoas que o conheciam assustaram-se muito. Para elas, Ed Gein era “uma boa pessoa”, apesar de possuir um estranho senso de humor.

Necrófilo

A princípio, Ed ainda tentou negar o crime, mas no dia seguinte começou a falar, embora afirmasse não se lembrar de muitos detalhes, dizendo que estava confuso quando tudo aconteceu – dizia mesmo não se lembrar de ter dado um tiro nela. Falou também dos vários furtos de corpos no cemitério. Demorou mais alguns dias para confessar o assassinato de Mary Hogan – segundo suas lembranças, matou-a acidentalmente. Segundo os interrogadores, não havia remorso, não havia percepção da barbaridade dos seus atos.

Na casa de Eddie, encontrou-se partes de cerca de uma dezena de mulheres, fora as duas que certamente matou. Inclusive da própria mãe dele. Dizem que foi encontrada a vulva dela, pintada de prata.

A investigação descobriu que Ed Gein violou três cemitérios da redondeza, e que pode ter chegado a ter aberto até 40 covas. No começo do seu “hobby”, Eddie tinha a ajuda de um amigo, Gus, coveiro, que era meio “lesado” e achava que Ed fazia experimentos científicos. Gus, tempos depois, foi internado em um asilo e morreu. Eddie passou a trabalhar sozinho.

Eddie, aparentemente, sonhava em ser mulher, brincando com os órgãos cortados de suas vítimas, dançando com a roupa de pele humana que fez. Em uma ocasião, mostrou uma cabeça, em sua cama, a um garoto que foi à sua casa. Disse ser uma relíquia vinda de longe. O garoto contou a outras pessoas, que não deram bola à história.

Ele negou necrofilia, isto é, que transasse com os cadáveres: “Elas cheiravam muito mal.”.

Durante o processo, foi alegada insanidade e Ed Gein passou por uma bateria de avaliações. Concluiu-se que seus problemas com o sexo oposto, amor e ódio, vinham de sua relação intensa com a mãe. Foi considerado incapaz para o julgamento, e foi para instituição mental. A população de Plainfield estava revoltada, especialmente porque a cidade virou um pólo “turístico”, e estava repleta também de jornalistas. No ano seguinte, a casa de Eddie foi incendiada. Eddie, ao saber disso, disse apenas: “Tudo bem!”.

Após dez anos em tratamento, foi considerado apto a ir ao tribunal.

O estranho Ed Gein…

Em 1968, foi julgado culpado. Porém, como estava doente quando cometeu os atos, sua condenação foi passar o resto de sua vida em um hospital psiquiátrico para criminosos.

Segundo descrições, passava a maior parte do tempo sozinho, mas parecia feliz. Lia e realizava as terapias ocupacionais com desenvoltura. Às vezes, olhava fixamente para enfermeiras e outras mulheres, deixando-nas desconcertadas. Foi um dos poucos pacientes que passaram pelo hospital que nunca necessitou de uso emergencial de medicamentos calmantes.

O serial killer Ed Gein morreu em 1984, de câncer, aos 77 anos. Foi enterrado em Plainfield, perto de sua mãe.


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